11 de out de 2013

+ 2 POEMAS INÉDITOS.

A-LUZ-SINA-AÇÕES

e o cachecol  enrolado no pescoço do mundo
foi tecido com o  novelo de lã-mina das letras  da paz?
ou foi  forca trançada com as silabas da globalização?
no Sec.21 ,entre os verbos conviver  e corromper 
                 existe  um milimetro de abismo que é o  homem 
e em época  escura & de dia escuro é que espirra  rebel-dia.
a nuvem  ativa as elétricas amígdalas 
                       e fala de raios e chuviscos e cospe relâmpagos .
mas não bastava enxergar  essa luz ou soletrar em voz fosforescente 
                                                      as palavras lampião ou  va-ga-lu-me 
                                                       no pé do ouvido  do superlativo escuridíssimo.
era preciso apalpar  a  luz ,roer a luz ou até sentir-se  luz.
se somarmos minha energia com a sua energia 
inauguraríamos usinas mais astrais e de energia mais positiva 
que  todas as termoelétricas, eletro nucleares e hidroelétricas da  América latina.
o planeta  , um pivete de boné verde terra e  camisa azul marítimo desbotada 
deitado sobre as marquises da  Via Láctea .
seu ronco é que colori o espaço 
mas quem aí e aqui  que ergue o braço?
são  doze cometas de ossos flexíveis na costela ,constelação 
                                                                         de vértebras que o sustenta.
que  tenta abrir  a fivela do cinturão de Orion
 para que as estrelas estejam livres e nuas 
                                                      para acompanha-lo até a  rua.
 enquanto na praça,
uma cega  ouve tudo  em  azul marítimo,azul petróleo e cinza cidade,
um mudo alucinado estupra a palavra grito 
e uma raça piolhenta que vive na pena da pomba 
remanescente da Arca desconfia que Noé lançou foi é uma bomba
e que o Diluvio explode  todos os dias  dentro dos nossos olhos.


com gravidade e com gravidez

as vezes somos cidadãos engravidados por um falo
com um formato de mundo.
as vezes nos engravidamos dos nosso próprios anseios.
sobreviver na rotina é ejaculação e ovulação.
mas deixar de estar entusiasmado,
perder a vontade ou a coragem de agir
isto é um aborto mediante um
chute na barriga.
cotidianamente a palavra,
(principalmente a palavra perseverança),
me submete a uma cesariana
usando um bisturi a base de talhadeira e marreta,
e retiram de dentro de mim
vários bebes prematuros e
cevados como bezerros que chegam com tanto afinco
para subverter o abate diário.
minhas contrações de parto emitem um som macabro
ao soletrar o substantivo coragem,
e o planeta logo sente pavor.
mastigo o cordal umbilical
de cada poema e de cada sentimento de motivação e esperança
que rompem a bolsa fetal berrando
pois logo eles irão desmamar
assim que avistarem a divinização lacto das ruas
porque o século ,
éguas no cio trotando dentro de uma quitinete,
tem pressa,quer seguir adiante
tanto que antes quase socou meu útero
quando eu ainda me encontrava gestante.
adaptado na aridez entre o remanso e o catastrófico,
diante da doença que é a distração
torno minha aptidão para suportar a fadiga

em um poço artesiano.